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Ecadotril

Expresso, 18 Novembre 2006

Eight deaths force the cancellation of a trial of Bayer’s drug.

//The product for heart disease was used by 239 people. A Portuguese individual died.//

Ecadotril was under study by Bayer for the treatment of serious cardiac insufficiency when eight volunteers died. The trials were suspended, the drug was never put on the market and the Portuguese responsible for the actions say that they do not recall such facts. All this happened ten years ago and only now the public is becoming aware of this, and only because another trial of the so-called “Pequito case” has begun at the Oeiras court.

Among the documents delivered by the pharmaceutical company to the court, requested by Alfredo Pequito’s lawyer, there is a document that reveals that eight deaths occurred. Confronted with such a situation by the Expresso, Bayer confirmed two fatal cases. “It was verified that there was a risk/benefit equation which not favourable to Ecadotril, namely by the detection of two cases in patients medically treated, of a very rare, serious and unpredictable situation that resulted in casualties. Both cases occurred in Israel”.

The Expresso insisted on these cases and the answer changed. “Additionally, during a clinical experiment, five more people died. These deaths happened in Israel, Norway, UK and Sweden. These patients died of various causes: road traffic accidents, intestinal cancer, cardiac insufficiency and sudden death”. And “there was also a case in Portugal, where a patient died 19 days after the end of the clinical experiment, and he was not treated with this pharmaceutical product. However it was reported with the mentioned eight cases due to the proximity of the end of the trial. This patient died due to a cardiovascular cerebral accident, according to the death clinical certificate, and not related with the pharmaceutical product in question, as mentioned in the medical evaluation of the case”. In accordance with the Portuguese legislation “the damage is presumed to be due to the trial” when the health of the volunteer is affected “during the realization of the trial and the following year after its conclusion”.

The deaths were a result of “the serious adverse effects” – as stated by Bayer – of these experiments, but there were other failures. In the document sent by Bayer (four months after the end of the experiment) to Infarmed (State pharmaceutical control department) to inform about the deaths, it is revealed that there was a “failure” in the definition of the main sample, that “have implications at the safety evaluation level”. In reality “the patients previously considered included in the placebo group were in fact treated by Ecadotril” and vice-versa.

The cardiologist responsible, at the time, for the experiments at the Hospital Santa Maria – chosen to make the studies in our country together with Hospital Santa Cruz – Carlos Ribeiro does not remember this study, but he affirms: “It is a basic error, a childish failure”. The therapeutical pharmacology Professor Virgilio Durão is still more affirmative: “The pharmaceutical company must explain very clearly the error and the consequences to the patients. We must demand an investigation.”

Other of the questions which is less clear, that is mentioned in the report now delivered to the court, is the difference of the amounts paid to the Portuguese researchers. In the documents it is mentioned that in the Hospital de Santa Cruz the payments were “1.035.000 escudos/patient” and in the Hospital de Santa Maria “200.000 escudos/patient” (rate of conversion from escudos to euros: 1 € = 200 escudos). Bayer reported to Expresso, and confirmed, “for an experiment, the payment for the work made in the hospitals was equal”. The company added that they have in their archives the document relating to the payment made. (by Vera Lúcia Arreigoso)

Reactions:

Seabra Gomes, the Researcher responsible for the study in the Hospital de Santa Cruz said: “I have the records because I am obliged to keep them for 15 years, and probably I had the knowledge that there were eight deaths, but I will not look for the document. “You are not the Judiciária” (Portuguese Investigation Police).

Carlos Ribeiro, the Researcher responsible for the study in the Hospital de Santa Maria said: “Clinical research is useful in saving lives, but can also kill people. I do not remember the study, but the Portuguese can be sure that all the ethical aspects of the investigation complied with the rules.”

Aranda da Silva, President of the State Pharmaceutical Control Department said: “I have a vague idea. The person who knows the case very well is the vice-president of the Ethical Commission for the Clinical Investigation, António Faria Vaz”.

António Faria Vaz, Director of the Services of the Pharmacy-vigilance National Center at the time of the study said: “I do not know any drug, in the whole world, that has not caused deaths. These situations must be very well structured and analysed, with all the elements.”

Virgilio Durão, Pharmacology specialist: “The death risk is always present and it is impossible to make clinical experiments without the well-informed consent of the patients. Only experts in clinical toxicology can evaluate whether the eight deaths is a large number of cases or not”.

Expresso, 18.11.2006

Saúde: Oito mortes obrigam a cancelar ensaio a medicamento da Bayer

//A substância para doenças do coração foi usada em 279 pessoas. Morreu um português //

O ecadotril estava a ser estudado pela Bayer para tratar a insuficiência cardíaca grave quando oito voluntários morreram. Os ensaios foram suspensos, o medicamento nunca chegou ao mercado e os responsáveis portugueses dizem que não se recordam. Tudo aconteceu há dez anos e só agora veio a público porque começou a ser julgado em Oeiras mais um processo do "caso Pequito".
Entre a documentação entregue pela farmacêutica no tribunal, por imposição do advogado de Pequito, está o relatório que revela terem ocorrido oito mortes. Confrontada pelo Expresso, a Bayer limitou-se a confirmar dois episódios fatais: "Verificou-se que havia uma relação risco/benefício desfavorável ao ecadotril, nomeadamente pela detecção de dois casos, em doentes medicados com ecadotril de uma situação muito rara, grave e imprevisível e que levou à morte. Ambos os casos ocorreram em Israel".
O Expresso insistiu e a resposta mudou. "Adicionalmente durante o ensaio clínico faleceram mais cinco pessoas. Estas mortes ocorreram em Israel, Noruega, Reino Unido e Suécia. Estes doentes morreram de causas variadas: acidente de viação, cancro do intestino, insuficiência cardíaca e de morte súbita". E "houve ainda um caso em Portugal onde o doente faleceu 19 dias após o fim do ensaio clínico, não estando a ser medicado com o fármaco. Foi no entanto contabilizado entre os oito referidos dada a proximidade do final do ensaio. Este doente faleceu de um acidente vascular cerebral, de acordo com a certidão de óbito, não relacionado com o fármaco como consta da avaliação médica do caso". Segundo a legislação portuguesa "presumem-se imputáveis ao ensaio os danos" que afectem a saúde do voluntário "durante a realização do ensaio e no ano seguinte à conclusão".
As mortes foram "os efeitos adversos graves" - como lhes chama a Bayer - destes ensaios, mas houve outras falhas. No documento que a farmacêutica enviou (quatro meses após o fim do estudo) ao Infarmed para comunicar as mortes é revelada a existência de uma "falha" na definição da amostra central "que tem implicações ao nível da avaliação de segurança". Na prática, "os doentes previamente considerados no grupo placebo estavam de facto a tomar ecadotril" e vice-versa.
O cardiologista que à data foi responsável pelos testes no Hospital de Santa Maria - escolhido para fazer os estudos no nosso país a par com o Hospital de Santa Cruz - Carlos Ribeiro não se recorda do estudo, (Carlos Ribeiro does no remember the study made - clinical experiment/essay) mas garante: "É uma falha básica, de um miúdo". (It is a basic error, tipical from a kid) O professor de Farmacologia Terapêutica Virgílo Durão vai mais longe. "O laboratório tem de explicar muito bem o erro e as consequências para os doentes. Deve exigir-se que seja investigado". (The pharmaceutical producer must explain very well the error, as well the consequences to the patients)
Outra das questões menos claras, que também está no relatório agora na posse do tribunal, é a diferença de valores no pagamento feito aos investigadores portugueses. Nos documentos consta que em Santa Cruz seriam pagos "1.035.000 escudos/doente" e em Santa Maria "200.000 escudos/doente". Nas duas respostas ao Expresso, a Bayer garante que "para um dado ensaio, a remuneração pelo trabalho efectuado nos hospitais é igual". E acrescenta ter em seu poder prova documental do pagamento realizado. (Vera Lúcia Arreigoso)

REACÇÕES
Seabra Gomes
Investigador responsável pelo estudo no Hospital de Santa Cruz
"Tenho os registos porque sou obrigado a guardá-los durante 15 anos e, provavelmente, tive conhecimento que existiram oito mortes mas não vou procurar o documento. Vocês não são a Judiciária" (You are not. memore olhe P.J. - Investigation Police )

Carlos Ribeiro
Investigador responsável pelo estudo no Hospital de Santa Maria
"Os ensaios clínicos servem para salvar vidas mas também podem matar. Não me lembro do estudo ( I do not. recall the study - clinical experiment/essay) mas os portugueses podem estar certos que foram perseguidos todos os aspectos éticos da investigação"

Aranda da Silva
Presidente do Infarmed à data do estudo
"Tenho uma vaga ideia.(I have a very vague/indistinct idea) Quem conhece bem o caso é o vice-presidente da Comissão de Ética para a Investigação Clínica, António Faria Vaz"

António Faria Vaz
Director de serviços do Centro Nacional de Farmacovigilância à data do estudo
"Não conheço nenhum medicamento em todo o mundo que não tenha causado mortes. Estas situações têm de ser muito bem contextualizadas e analisadas com todos os elementos"

Virgílio Durão
Especialista em Farmacologia
"O risco de morte existe sempre e é impossível fazer ensaios clínicos sem o consentimento informado dos doentes. Só peritos em toxicologia clínica podem avaliar se as oito mortes são ou não um número muito elevado"